DPCA - Video Game

Carta enviada aos pais da escola no início do período letivo:

 

Srs. Pais,

 

Estamos enviando sugestões de atividades que podem ser realizadas pelas crianças ou em família  nos finais de semana como opções para uma maior integração famliar. Lembramos também que as crianças procuram fazer o que estão acostumados, e ainda, que o exemplo é muito mais importante que o que se fala.

-          Caminhadas com a família.

-          Atividades físicas em geral do tipo: varrer o chão, lavar o carro, cortar a grama, fazer jardim, etc...  (sem ênfase na competição) e desenvolver a atividade junto com a criança.

-          Assinar revistas culturais do tipo: Super Interessante, National Geografic, História. Lê-las junto com as crianças.

-          Leitura de bons livros.

-          Preencher palavras cruzadas.

-          Cultivo ou pequenas hortas (chás e temperos) que podem ser feitas até em vasos.

-          Blocos para montar (tipo castelinho), tocos de madeira, lego, carrinhos, miniaturas de animais, para criar cidades, fazendinhas, etc...

-          Jogos de memória e quebra-cabeça que podem até ser confeccionados pelas crianças com ajuda dos pais (recortes de revistas colados em cartolina).

-          Confecção de bonecos e bonecas de pano, que podem ser confeccionados pelos pais com a ajuda de seus filhos ( a escola oferece a oficina de bonecas para que os pais possam aprender a confeccioná-las

-          Trabalhos manuais do tipo: tear, tricô e crochê.

-          Atividades artísticas do tipo: pintura, colagem e desenhos.

-          Confeccionar brinquedos de sucatas.

-          Tocar flauta ou outro instrumento que a criança conheça.

Pedimos ainda a sua colaboração para não enviar o seu(a) filho(a) ao colégio caso o mesmo(a) encontre-se hiperestimulado pelos efeitos nocivos do vídeo-game. Estes jogos eletrônicos produzem diversos desvios de conduta como: irritabilidade, agressividade, hiperatividade, visto que sempre lidam com a questão da competição, explícita ou implicitamente.  Sabemos que em dias chuvosos é muito mais fácil para os pais silenciar seus filhos abandonando-os à frente de games e da televisão; porém, gostaríamos de comunicar a estes pais que o estímulo gerado pelos jogos fica armazenado na forma de ondas sinápticas no cérebro básico da criança; e que as mesmas terão de ser descarregadas em forma de movimentos; os mesmos que o cérebro básico imaginou executar na hora do game. Esta descarga hiperativa atrapalha o bom andamento das atividades pedagógicas; e como os pais desta escola esperam que o compromisso assumido de bom desempenho pedagógico seja cumprido, não podemos permitir que a negligência de poucos pais prejudique a opção da maioria.

Assim pedimos aos pais que ainda permitem que seus filhos usem dos jogos virtuais que entrem em contato com a escola e agendem um horário com a equipe terapêutica para equacionarmos a questão.

Abaixo listamos alguns prejuízos comprovados em crianças que fazem uso de jogos eletrônicos (em games ou em computadores)

  -       L.E.R. – Lesão por esforço repetitivo.

  -       Tendinite.

  -       Queda da aptidão visual.

  -       Morte de milhões de células cerebrais, principalmente nas regiões  do hipocampo e da amígdala, parte integrante do Cérebro Límbico, que é o cérebro mais sensível à ação do CORTISOL. Este hormônio é liberado juntamente com a cascata hormonal ativada quando a adrenalina é liberada na corrente sanguínea nos momentos de estresse ou tensão, como os momentos que a criança vive durante uma competição de qualquer natureza. “O estresse contínuo produz um dano neurológico cada vez maior¹”.

  -       Isolamento com incapacidade de relacionar-se ².

  -       “Em um game, o jovem vira um autômato que transforma impulsos visuais em movimentos motores limitados, repetitivos e predefinidos, pois o mesmo inibe a vontade e o raciocínio²”.

  -       Desintegração mente-corpo devido ao estímulo apenas do cérebro básico.

  -       Por ser um vício ( classificado como tal pela OMS – Organização Mundial de Saúde ), gera dependência e na sua retirada, síndrome de abstinência. Há a hipótese de que o vício em games seja químico devido à dificuldade de retirada do hábito³.

  -       “ Os viciados em games chegam ao ponto de jogar sem parar 24 horas por dia, reagindo à abstinência da mesma forma que os dependentes de álcool e outros entorpecentes. Não há diferença entre eles e os viciados em cocaína.”³

  -       “A maioria dos estudos mostra que as crianças são influenciadas pela exposição à violência na tela, seja de games, computadores ou TV, e que os hábitos adquiridos na infância são a base do comportamento adulto. ”¹¹

  -       “Um dos efeitos mais dramáticos dos games é a dessensibilização – isto é, a indiferença ao sofrimento alheio, também chamado de fadiga da compaixão.” ¹¹

  -       “ Os instrutores americanos utilizam há vinte anos simuladores parecidos com os games eletrônicos. Foi com essas técnicas de condicionamento que as Forças Armadas fizeram subir o índice de tiros contra alvos humanos desde a Segunda Guerra Mundial. O treinamento militar é poderoso, e é exatamente isso o que  os jovens estão fazendo com esses games”. ²²

 

¹ Dr. Khalsa, Dharma Singh, M.D. – Longevidade do Cérebro. Neurologista norte-americano,.

² Setzer Valdemar pesquisador da USP sobre os efeitos da informática no comportamento.

³ Jonsson, Hakan, psicólogo sueco, especialista no tratamento de jogadores compulsivos.

¹¹ Bok, Sissela, Universidade de Harvard, U.S.A. uma das principais pesquisadoras do tema no país.

²² Grossman,David, ex-professor de Psicologia da Academia Militar de West Point e da Universidade de Arkansas, U.S.A.


 
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